Cidadania

Em 1976 estávamos no meio do Regime Militar, para a maioria de nós, jovens entre 15 e 19 anos, era como se fosse uma história tipo mocinho e bandido, onde nós, é claro, estávamos do lado dos mocinhos.

Nosso comandante geral, o Brigadeiro Godofredo Pereira dos Passos, era um homem que passava uma imagem de serenidade e vibração, um líder. Ele frequentemente nos reunia no cinema para fazer a propaganda do regime e dizia que no ano 2000 haveriam duas novas potencias mundiais, o Brasil e a China. Podemos dizer que ele tinha visão e acertou 50%.

Além de andarmos uniformizados durante praticamente toda a semana, não podíamos sair da escola sem autorização do Oficial responsável por cada esquadrão (grupo de turmas que iam da Turma A a Turma L). No fim de semana podíamos viajar para casa ou ir a cidade, desde que não estivéssemos impedidos por alguma travessura adolescente que tivéssemos aprontado durante a semana.

Na nossa grade de aulas fazíamos frequentes deslocamentos das salas de aula para os laboratórios, e todos eram em formação e marchando. Cada semana uma aluno da Turma era o chefe de classe e responsável pela Turma.

Às 6:00 horas da manhã éramos acordados pelo Toque da Alvorada e tínhamos 1 hora para tomarmos o café da manhã. Após o café da manhã, todos os alunos, o Corpo de Alunos, tinham que estar em formação no Pátio da Bandeira para o deslocamento as salas de aula. Na hora do almoço havia a cerimônia do hasteamento a bandeira nacional e o Paradão, onde todos os alunos cantavam o Hino Nacional, prestavam continência a bandeira e desfilavam em frente ao palanque das autoridades e Oficiais em direção ao rancho.

A formação do Corpo de Alunos tinha a Banda de Música na frente, e na sequência o 3º, o 2º e o 1º ano. Os mais altas de cada grupo ficavam a frente da tropa e eram chamados de a Testa. Os mais baixos ficavam no fundo e eram chamados a RETA.

A cerimônia era comandada sempre por um aluno do 3º ano que era chamado de o Aluno de Dia. A Equipe de Dia auxiliava este aluno. Pelo menos 1 vez cada aluno do 3º tinha que assumir este papel e havia uma escala feita pelo 1º Sargento Murad. Geralmente os alunos mais responsáveis, maiores e mais velhos assumiam com mais frequência esta responsabilidade. Esta escala era chamada de Escala de Dia. De modo geral os fins de semana eram os que os alunos menos gostavam de ser escalados.

Nos fins de semana era comum alguns alunos estarem cumprindo prisão, detenção ou LS3 (Licenciamento sustado por 3 dias = o fim de semana sem sair da escola). Estas punições eram pelos mais variados motivos, desde trote dos Oficiais até faltas realmente graves dos alunos. O LS3 não era grave, as vezes um atraso, uma cama mal arrumada, uma atitude errada. Já a detenção e a prisão eram mais graves. 2 dias de detenção ou 2D era igual a um dia de prisão, ou 1P. O aluno que tivesse mais de 30P em um ano de escola era desligado. Esta era a regra, ou seja, o comportamento fugia demais do adequado. Infelizmente houveram casos como estes. O Oficial de Dia juntamente com o Aluno de Dia eram responsáveis por estes alunos impossibilitados de saírem. O uniforme usado neste caso pelos presos e detidos era o 10º, um uniforme de brim azul que seria o uniforme de camapanha da época.

Além das formaturas diárias, fazíamos com menos frequência formaturas na cidade de Barbacena e em outras como na cidade de Santos Dumond, cidade próxima onde nasceu o Pai da Aviação. As fotos onde estamos de capacetes são no ano de 1977 na cidade de Santos Dumond, no aniversário de seu nascimento.

Os alunos mais altos e encorpados eventualmente atuavam como parte da tropa da PA, Polícia da Aeronáutica, de onde vem o apelido de um dos Tubarões.

As fotos onde estamos todos de paletó azul, o 5ºA, é a nossa última formatura, a formatura do ADEUS em 1978.

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